Ontem esperando o fretado para começar a saga de volta para casa, vi dois cachorros perambulando por entre as pessoas e carros, em frente ao shopping.
Apesar de serem nítidos vira-latas, estavam limpinhos e gordinhos – a cadela provavelmente estava prenha.
Observando o desnorteamento visível daqueles animais, vi chegando um segurança do shopping (que nunca tinha visto por ali) assustando os cães para que saíssem dali.
Pois bem.
Eles não estavam fazendo nada, não estava atrapalhando os ilustres granfinos que por ali passam todos os dias, exibindo sua pompa e sua futilidade. Estavam apenas perdidos e perambulando de um lado para outro a procura de um caminho, talvez.
- Hei, se você os espantar assim eles irão para debaixo dos carros e serão atropelados!
- Eu só estou querendo que ... hã... hã... há ... eles têm um cantinho ali. – e apontou para o nada.
Se o problema saí das nossas vistas ele está resolvido?
Não, acredito que não.
E acredito também, que o serviço desse segurança é, dentre outras coisas, inclusive, verificar se nenhum engravatado parou sua lamborghini em uma vaga de deficientes.
É, talvez seja mais fácil bater o pé para que os cães saiam do caminho, do que enfrentar uma carteirada.
E assim caminha a humanidade que já está à beira do precipício.